sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Ecycle

Em clima de renovação lhe convido para pensar o consumo e as pegadas que deixamos na natureza. Temos acompanhado a intensificação das queimadas na Floresta Amazônica e a falta de água em diversas cidades.

Depositar as fezes das cachorras direto no vaso sanitário, ao invés de utilizar as sacolas foi o início de um caminho mais consciente.🍀🙂

Agora queremos fazer mais.

Descobri hoje o site *ecycle  que informa de acordo com o CEP, os locais para a coleta de diversos materiais como: remédios vencidos, pilha, óleo de cozinha, entre outros.

E por fim, você sabia que a bucha vegetal é otima para lavar a louça e não polui o ambiente? E que os absorventes e as fraudas descartáveis não são recicláveis, mas há opções maravilhosas de pano para a substituição?

Desejo um 2021 com muitas renovações!!!

*https://www.ecycle.com.br/

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Dádivas

"Dádiva - Ato ou efeito de dar espontaneamente algo de valor, material ou não, a alguém; presente, oferta, mimo, brinde."

Gostaria de agradecer pela consciência diária construída. Pensar sobre a palavra do ano e seus percalços, bem como a necessidade de trabalhar o pertencimento. Sou muito grata pelo trabalho diário de compreender o que estou fazendo na Terra.

Dedico esse tempo para honrar a ancestralidade, pois reconheço a importância das raízes para nos fortalecer no presente. Me impressiona muito pensar sobre a coragem dos imigrantes em 1829, que passavam em torno de sessenta dias no mar, sem banho, com pouca comida e sabendo que poderiam morrer no percurso.

Sou muito grata por todo o esforço feito, para preservar a memória, seja por meio do livro dos Rockenbach ou dos encontros dos parentes a cada dois anos.

Meus avós Armin e Nelly, tiveram sete filhos. Eles foram a última geração das famílias extensas. Nossos antepassados vinham de uma sequência de oito, doze e nove filhos vivos. Meu avô Armin teve oito irmãos. Soube que duas irmãs precisavam de cuidados, devido a problemas mentais. Segundo minha tia, "elas agiam como crianças, não tinham maldade".

Abaixo segue alguns dados da genealogia da família Rockenbach, a partir da emigração em 1829.

Genealogia 

Tataravôs: Johann Daniel Rockenbach, imigrou para o Brasil no navio Olbers em 09/03/1829 com 25anos de idade. Casou-se com Anna Margareth Burg Rockenbach. Tiveram oito filhos. São José do Hortêncio / RS.

Trisavos: Adão Aloísio Rockenbach e Katharina Horn. Tiveram doze filhos. Conventos - Lajeado/ RS.

Bisavôs: Mathias Estêvão Rockenbach e Anna Maria Hammes. Tiveram nove filhos. Conventos - Lajeado / RS.

Avos: Armin Rockenbach e Nelly W.  Rockenbach. Nelly foi a primeira professora da cidade Sulina / PR. Tiveram sete filhos.

Mãe de Rubiamara: Neusa Therezinha Rockenbach (Neusa teve quatro filhos - na terceira gravidez, nasceram gêmeos, apenas um sobreviveu). Pais de Rubiamara: Reginaldo Aparecido de Farias e Dionisio Damiani.

Eu: Rubiamara Rockenbach de Farias. Nascida em 1989 em Curitiba-PR. Reside em Florianópolis/ SC.

"Sinto muito, me perdoe, te amo, sou grato."

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

História difícil recontada

Meu tio e meu avô foram velados juntos no ano de 2003. Meu avô foi hospitalizado e então todos os filhos foram chamados. Um dos meus tios e seus dois filhos estavam a caminho do hospital, quando bateram no paredão de pedra. Meu tio, o único sem cinto, foi arremessado e morreu poucas horas antes do meu avô. Sempre ouvi que entre os dois haviam questões mal resolvidas a respeito de dinheiro e que tinha até profetizações do pai, a respeito desse dia trágico.

História forte.

Hoje decidi reescrevê-la. Lembrei que minha avó, morreu aos 51, dormindo, com problemas de coração. É provável que meu tio tenha tido um infarto, visto que meu primo o alertou da curva e da velocidade em que estavam, e ele continuava a acelerar.

Isso me fez pensar sobre a importância dos homens aprenderem a ouvir o próprio corpo, e a pedirem ajuda. A importância de se permitirem receber amparo também. Recontar essa história, alivia o peso negativo que o dinheiro sempre teve, ao mesmo tempo, em que nos convida a estarmos mais atentos à TODOS aqueles que nos cercam. Respira.

Gratidão aos meus avós e aos meus tios que já  cumpriram sua missão nesta terra!🙏

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Transferência

Santa transferência de cada dia!🙏

Dai-nos a capacidade de distinguir as nossas necessidades, das nossas projeções.

Amém🙏😁

Quando a falta, falta.

As tarefas que eu sozinha teria que dar conta, divido na relação afetiva. Assim dividimos os afazeres domésticos e poderemos ESCOLHER. Assim terceirizamos as NOSSAS responsabilidades. (Inclusive coisas que não suporto fazer, por razões mais profundas, poderei continuar não olhando.) 

Se um de nós não fizer, (pelo motivo que seja), a falta JÁ EXISTENTE, aparecerá e a angústia virá de brinde. Lacan afirmou: "A angústia surge quando a falta, falta."

Nesse momento respiro e me pergunto: Se esta tarefa é de minha responsabilidade também, por que estou tão frustrada? Qual é a falta que não suporto enxergar?

#relacionamentos #psicanálise #lacan #escolha #coragem #autoconhecimento #autocura

sábado, 7 de novembro de 2020

Mupaie

Há um órgão em mim chamado meu pai. Assim como quando o estômago está vazio, sinto fome, quando o meu pai está vazio, ou em outra ordem para não confundir com o sujeito, quando o mupaie está vazio, sinto necessidade de receber um longo e demorado abraço, com respeito e segurança.

É assim que o mupaie é recarregado, quando o medo desaparece.

 

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Autoras

Revisitei meus livros esta manhã. Separei alguns que estão mais presentes nos últimos tempos. Me alegro por perceber que muitas escritoras fazem parte desta lista, visto que, cinco anos atrás, eu não conseguia citar os nomes de artistas mulher que admiro. Ampliar e valorizar as diversas possibilidades de narrativas, me enriquece e me faz muito bem. Compartilho com vocês!!!

Clarice Lispector
Fernando Pessoa
Clarissa Pinkola Estes
Ana Suy Sesarino Kuss
Sylvia Plath
Rupi Kaur
Monja Coen
Regina Machado
Edgar Morin


quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Do que faz mal

Ingratidão.
Cobrar o que não devo.
Reclamar do favor recebido,
Sem reconhecer o que foi feito.

Crio espaços para me amparar:
Trabalho,
Escrita,
Silêncios,
Amigos,
Tempo de qualidade.

Reconheço a minha força!
Assumo essa adulteza.
(Sem apoios ou descansos mimados).
Construo diariamente a resistência.
Respira.🌬

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Névoas coloridas (cintilantes)

Confesso que essas leituras dos filósofos como Espinosa, Deleuze e Guattari e a forma como a nossa nuvem cintilante conduz a aula, tem me feito repensar a minha relação comigo. Essa noite passei frio, já que quando é pra eu fazer as coisas para mim, como esticar os cobertores, ou fazer comida, eu tendo a desaparecer.

No entato, não justificarei as minhas ações com as dores do passado. O foco aqui será no que faço comigo hoje. Escrevo para mudar-me a mim, como diria Foucault.

Estou fazendo uma matéria na psicologia, com uma partícula dançante. Hoje reassisti à primeira aula. Pra lembrar de esquecer, como na música dos tribalistas. Enquanto ouvia a estrela cintilante, tirei umas manchas de mofo da parede, e destralhei umas coisas que há muito precisava fazer. Sinto que gosto mesmo é de companhia.

Nesta primeira aula, o raio de chuva não estava muito "legal", e por ele ter compartilhado isso conosco, observei a importância de vulnerabilizar-se, como uma vivência rica de empatia e de aceitação.

Por outro lado, na reunião do condomínio de ontem, senti uma grande frustração, pelos demais moradores não quererem nem conversar sobre o destino do esgoto que nós produzimos. Me senti muito irritada. Precisei de escuta empatica, para dar algum acalanto.

Acho que no fundo, a minha tristeza se avolumou, por eu me sentir sozinha diante daquelas ideias. Chegaram até a sugerir em votar para decidir se esse assunto entraria na ata. Sendo que a ata tem a finalidade de narrar o que foi conversado na reunião. Como é desafiador viver com a diferença. Lhes faço uma pergunta caras purpurinas: "Como conviver em paz, quando a atitude em questão produz a morte?"

Encerro este texto, reconhecendo que as dores vão doer. Respeitaremos os ciclos e brotaremos no nosso tempo. Lembrando de esquecer, de lembrar de esquecer, de lembrar de esquecer... Gratidão pelos delírios compartilhados!

Rubiamara

Fora da memória- Tribalistas

Fora da memória tem
Uma recompensa
Um presente pra você
Você que não pensa
No que foi
No que será
No que foi
No que viria

Fora da memória tem
Uma regalia
Para quando você acordar todo dia
Fora da memória tem
Uma fantasia
Para você recordar todo dia
De esquecer
De esquecer
De esquecer, iê

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Desenredar o tesouro

Ouço o que não cessa.
Ne-cess-idade
De sentir calor.
Uma vontade absurda de grudar no outro,
Que já foi pior...
Já quis ser enterrada no mesmo caixão.
Lembrança forte.

Aprendi a produzir calor.
Observo os meus ciclos.
Acolho a minha fase,
E a morte necessária para o dia de hoje.
Para eu estar mais inteira onde estou.

Sei confiar no processo de transformação e na minha força de criação.
Sou uma mulher forte e capaz de viver o que a minha alma deseja e merece.
O outro não será mais anestesia para as minhas dores.
Agora eu sei aonde dói. 
Rubiamara - 05/10/2020


sábado, 3 de outubro de 2020

Almas rolantes

Estar amarelo, 
É ter alguns privilégios,
Conquistados por mérito.
Reconheço aqui também, que a minha esposa e meus filhos foram fundamentais nesse processo.

Apesar de ter subido na escala social,
Ainda ardo sobre está fogueira.
Escolhi me adaptar a uma forma,
Que me sufocou e me isolou por muito tempo.
Ainda me sinto bastante solitário.

Preciso e quero me extravasar.
Reconheço que às vezes passo dos limites.
Sinto muito por isso, família!
Peço que me ajudem a evoluir.
Vamos melhorar juntos?

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Setembro amarelo

Nos reencontraremos quando o vírus for embora.
Vou grudar em um abraço,
E ficar bem quietinha.
Matando cada saudade que senti.

Para isso acontecer,
Preciso que esteja aqui.
Te acolho,
E te digo,
Isso vai passar.
Você está indo muito bem! 
Segura mais um pouquinho.
Eu sei que você consegue!
Você é muito importante para mim.

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Sucinto

A vida não faz nenhum sentido.
Silêncio 
Silencia
Si len ci AR
Respira 1 2 3.
Solta 1 2 3 4 5 6.
Espaço.

Yanomar

Observo as gigantescas ondas do mar.
Retorna,
Cresce com infinitos,
E explode.

O movimento,
Sempre diferente,
E inimterrupto.

"Debaixo d'água ficaria para sempre longe dessa toda essa gente pra sempre no fundo do mar.
Mas tinha que respirar,
Todo dia."


Era confortável estar nas suas águas quentinha. Me sentia amparada, acolhida e segura. Pela primeira vez, sentia não ser um peso. Foram longos momentos de se fortalecer, um na presença do outro.
Muitas curas e muitas liberações foram possíveis.
No movimento dos dias, procuramos dar conta dos nossos desafios. Tem dias, que não passam de marolas. Devagar. Sem vento ou muitas emoções. E o processo é aceitar a vida como ela É.
Respira.🌬
Sinto muito. Me perdoa. Te amo. Sou grato.

Trecho da música Debaixo d'água 
 Maria Bethânia 

sábado, 26 de setembro de 2020

Quadrilha - Carlos Drummond de Andrade

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Um olhar sobre o texto de Drummond
Sempre achei esse texto deprimente. O amor nunca era correspondido, e teve até suicídio.
Lili não amava ninguém e foi a única que se casou. Curioso não é mesmo? Me pergunto, o que seria amar, nesse caso? Seria desejar no outro o que não está resolvido dentro?

Será que o João, a Teresa, o Raimundo, a Maria e o Joaquim estavam alimentando suas próprias fantasias, provenientes da falta, ao invés de se fortalecerem como indivíduos? Por serem mulheres, em uma cultura patriarcal, como terá sido a criação de Teresa e de Maria?  Será que se reconheciam como sujeitos, ou aguardavam um homem para validá-las? 

Ainda que vivamos no ano de 2020, nossos pais, avós e ancestrais viveram em épocas, em que o divórcio era proibido. Só a partir de 1977, que as pessoas puderam optar por desfazer o contrato que prometia "o felizes para sempre".
É natural que muitas mulheres ainda sentirão muita pressão sobre si, pois foram criadas para serem boas, passivas e preparadas para exercer o cuidado familiar.

Aposto que Lili, na história acima, já se sentia merecedora, e conseguia reservar um tempo para atender as próprias necessidades, além de ter aprendido a fazer diversas coisas com o corpo, que permitiam a alegria entrar. Dançar, batucar, cantar, gingar, brincar, gargalhar, nadar, ler, escrever, tocar, fazer yoga, jogar capoeira, jogar diversos jogos, ouvir os pássaros, deitar na grama, fazer amor com o mar, tomar sol, perfumar o lar com incenso, acender as suas velas, meditar, ouvir, agradecer e fazer nada também, se assim o desejasse.

Espinosa nos recomenda apostar nos prazeres difíceis, como aprender uma nova habilidade, um novo hobby e não ser escravo dos prazeres fáceis como comer, beber, fumar, ver TV, fazer sexo... Segundo ele, o prazer no corpo, é prazer na alma. Surge então, a sensação da plenitude, reduzindo os espaços para o ódio. Aposto que a Lili tinha também um vibrador, pois ele é um super aliado, nas explorações das sensações do corpo e do fazer amor consigo mesma.

Nesse poema, um dos três homens, tirou a própria vida. A masculinidade tóxica também silencia o choro dos homens. Tentando ser sempre fortes e provar que são machos, muitos homens se explodem. Desejo que tenhamos sabedoria, para lidarmos com os desafios do momento presente. Que possamos esvaziar a nossa bacia de pedras, para a luz entrar, pois a fonte da luz não cessa, apenas precisamos ter espaço dentro.
Respira.🌺
Rubiamara

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

A peneira da existência

Há alguns anos, não tenho prazer na comida. Não gosto de cozinhar, e é inviável comer fora todos os dias. Então, faço sempre o mesmo: feijão e arroz. Deixo o feijão de molho, de um dia para o outro, cozinho na panela de pressão e coloco os temperos. O arroz é mais rápido. Congelo metade do feijão cozido. Sinto muita alegria ao perceber que tenho comida para a semana toda.

Quando chega a hora do almoço, costumo ficar mais triste, e sempre torço para que tenha sobrado um pouco da janta da noite anterior. Olho no relógio, e já é meio dia. Decido varrer a casa, dobrar a roupa e fazer qualquer coisa que não seja cozinhar, com a esperança que brote algo para eu comer. "Acho que hoje não vai rolar almoço, vou colocar o feijão de molho."

Sinto vergonha em falar isso, pois sei que tem pessoas que passam fome. Um dia comentei com um amigo e ele me disse: "Mas não é porque a vida do outro está ruim, que a minha melhora!" É muito importante sermos gentis com as nossas próprias dificuldades. Apesar da minha relação com a comida não ser boa, reconheço os meus avanços e me parabenizo. Seguimos!🌺

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

A criança suplente da não relação sexual dos pais

Sufocamento x Cuidado

O sintoma (o que a criança apresenta), decorre da subjetivação da mãe, quando não tem uma mediação na função do pai. Quando ele não separa a criança da mãe e diz: "não fique embaixo da asa da mãe, vá brincar, vá ter a sua vida." Essa situação, segundo Lacan, deixa a criança exposta a todas as capturas fantasisticas da mãe, satura a mãe, deixa ela se sentir plena. A criança dá à mãe o que o homem não dá. Muitas vezes, esta criança se tornará um adulto infantilizado.
A tarefa da psicanálise, nesse caso, é fazer o que o pai não fez.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Às minhas amigas, pós 30.

Aniversario
Depois dos trinta,
a gente se sente;
Mais autorizada a cuidar de si,
Mais independente,
Mais livre para;
Voar,
Curtir a própria companhia,
Aceitar o próprio corpo,
Gozar,
Sentir a própria vibração,
Gargalhar sem restrições,
Viver a fantasia,
As próprias regras,
Celebrar as vitórias,
Rir de si mesma,
Se autocuidar.
Se mimar.
Se maternar.

Conversar com as irmãs é empoderador.
A gente compartilha,
Confia,
Se escuta, 
É espelho,
Colo,
E fonte restauradora.

Dedico este escrito às minhas amigas,
Que também se buscam,
E que,
Nada encontrando no deserto, 
tem a coragem de cavar a areia e ir pra dentro.
Momento de pegar na mão e
Olhar no espelho da existência.
Enfrentar luz e sombra.

Sou feliz por fazer parte,
De uma rede de apoio super potente.
A coragem de vocês me inspira.
Gratidão meninas!
Rubiamara


segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Assinar com o polegar

Aprender a ler na década de 50 no Brasil, era privilégio. Lembro de uma vez na infância, eu querer mostrar o boletim para o meu avô e minha mãe sussurrar para eu não fazer isso, pois ele não sabia ler. 

Minha avó também assinava com tinta no dedo. Ela era dessas mulheres fortes que admiramos! Negra, mãe de cinco filhos, fazia artesanatos, pintava panos de prato, cultivava horta, participava do grupo da igreja, sabia todas as músicas.  Eu ia com ela nas missas e aprendi a cantarolar nessa época. Sempre me perguntam como sei tanta música. Tive o privilégio de aprender com uma cantaroladora profissional. Ela aprendia no ouvido mesmo. Imagina se soubesse ler!!!

Como o meu feminismo cura a minha avó? Honro toda a sua grandeza vó Maria (vó Bia). Gratidão pela sua Força e pelo seu exemplo de humanidade e de humildade. Sempre cuidando de todos nós. Cozinhando aquela comida maravilhosa e fazendo a gente comer até o último grão, daquele feijão que minha mãe não conseguia copiar. Fazendo aquele pão tão maciozinho, com tanto amor. Ah! Quanta saudade vozinha. E este mês, fazem 8 anos que a senhora fez a sua passagem, deixando muitas saudades. Como posso honrar sua presença? Gratidão meus avós Maria de Farias e Geraldo de Farias. 



sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Amarelinha

Amarelinha

Sinal do intervalo. Crianças no pátio formando espontaneamente uma fila. Havia algo desenhado no chão e cada criança aguardava a sua vez para brincar. O desafio era pular com uma perna e depois com as duas, e assim sucessivamente, até chegar ao céu. Trabalhavam equilíbrio, velocidade, coordenação motora, socialização e se divertiam muito.

Cada criança lançava a pedra sobre o desenho, para determinar o espaco que não poderia ser pisado, chamado também de "espaço vazio".

      - Concentra e já!, - torciam. 

Quando tinham que ficar muito tempo em uma perna só, como por exemplo, se a bendita da pedra caísse no número dois, teria que pular nos números um, três e quatro, só pra depois então, poder pisar no cinco e no seis juntos. Ufa! Aumentava-se o cansaço físico, mas as crianças sabiam que era fundamental respeitar esse espaço. Desde pequenos aprendiam, que o vazio fazia parte do jogo, e era mais fácil suportar sua existência na presença uns dos outros. Depois de cumprir todas as regras, chegava-se ao céu. E como era bom sentir que vivía-se plenamente aquele céu. Só não entendiam como aqueles vinte minutos passavam tão rápido. 



O VAZIO DA AMARELINHA

Todos nós sentimos, de vez em quando, uma sensação de vazio. Seja de fome, de disposição, de saudade ou de solidão mesmo.

É um grande desafio viver com a sensação da falta. Cláudio Thebas, no livro "O Palhaço e o Psicanalista", fala sobre a importância do brincar. Ele afirma que brincar é realizar um percurso juntos. Ele lembra da brincadeira de esconde-esconde, em que a pessoa se espremia atrás da pilastra, em conexão com tudo à sua volta. "Brincar envolve também, ficar esperando na estação, ficar perdido sem saber para onde ir, tropeçar e perder as malas...", - lembra o autor.

No texto "Amarelinha", a pedra  tem a função de sinalizar o vazio. Geralmente o vazio desestabiliza, então procuramos coisas para preenchê-lo  Com o passar do tempo, com autoconhecimento, e análise principalmente, a gente vai falando sobre as nossas dores e nos curando. Passamos a entender que o vazio faz parte do jogo (e da vida) e não se desequilibra com tanta facilidade. Aprende-se a pular com uma perna só, equilibrando, respirando, e vivendo a presença. Se esvazia, para ter mais momentos de qualidade e maior leveza.

Acredito que deveríamos ser mais incentivados a BRINCAR. Talvez conseguíssemos sustentar melhor o vazio. Desejo que esse texto possa colaborar um pouco com o vazio de vocês!

Gratidão 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Inflamações

Ainda tem o chá de ontem. Chá de camomila faz bem para a pele, pensei. Minutos após esse pensamento, me vejo com o algodão umedecido passando no rosto. Foi bonito presenciar esse ato de autocuidado entre eu e meu corpo.

Meu rosto sempre teve espinhas e cravos, o que era motivo para alguns familiares ficarem bastante tempo as espremendo. Os furos das orelhas sempre inflamavam. Me é familiar ter sempre algum buraco no rosto vazando.

Quando Freud pergunta: qual é a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?, acredito que ele queria saber, qual é o ganho em não cuidar das próprias inflamações, por exemplo. Talvez porque eu queria acessar um lugar de presença, de atenção, de colo, de ter a sensação de ser cuidada, que acontecia quando as espinhas eram espremidas. Resistência a amadurecer e assumir o protagonismo da própria vida.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Da ancestralidade que a gente carrega

Na década de 70, minha avó se recusou a ir no casamento de uma das filhas, pois ela estava grávida. Acreditava-se que a virgindade era a coisa mais importante para uma mulher, pois o homem só casaria se ela tivesse o lacre. Como um produto que já foi usado, e perdeu o seu valor. (Sinto muito por isso tia.)

Esse fato ocorreu na mesma época em que Lacan discutia a feminilidade na Universidade. Em que ele desgrudava a função materna, do ser mulher. Ele observou que o instinto materno não drenaria todas as pulsões de uma mulher, não daria conta das infinitas possibilidades que uma mulher pode ser, contrariando seu antecessor Freud.

Ouvir as histórias dos nossos ancestrais, nos permite compreender o conservadorismo que encarcera as mulheres há séculos e nos dá luz para sustentar esse lugar de sujeito gozante que conquistamos. Mulher que se desdobra e que pode ocupar diversos lugares. Que tem o direito ao prazer, direito ao trabalho, direito ao próprio corpo, direito à escolha ou não escolha da maternidade. Seguimos.
Gratidão @ana_suy pela gentileza em compartilhar seu conhecimento.🙏
#psicanálise #empoderamento #mulher 
@maecomprazer sobre o que conversávamos.🙏

domingo, 30 de agosto de 2020

LIVE 209.5678.9876.65449

Mais de cinco meses isolados,

Centenas de pessoas morrem todos os dias,

Está angustiante, está dolorido.
Estou sufocada.
E na live ao vivo, paro para ouvir.
Não conheço os artistas.
Gosto da melodia,
Mas gosto mais de companhia, de interação.

Vamos ver algo juntos, ainda que a distância? 
Me convide, antes que eu me ofereça.
Me convide!
Me fale qualquer aleatoriedade, para passarmos um pouco mais de tempo.
Preciso respirar.
Preciso me desfazer.
Dessentir.
Preciso de silêncio dentro.

#quarentena #silencios


Bi

Às vezes a gente comia no mesmo prato. E você tomava o restante do meu café. Eu peguei certa repulsa por comer. Minha avó dizia pra cada um comer em um prato, mas eu não tinha vontade. De comer, de vestir, de sair. Estava entupida de mim.

Apesar de qualquer pesar, sou muito grata a minha história, por eu ter conhecido uma pessoa tão maravilhosa, que é um companheiro de vida. A vida emocionalmente estável que tenho hoje é sem dúvida, pelo suporte que você me deu. Desde ir procurar ajuda de psicólogos, bem como me ouvindo nas minhas neuroses, ajuda financeira, ajuda nos meus trabalhos e até me ajudando a realizar meus sonhos de estudar na universidade pública e de viagem ao exterior.

Sinto que ainda há muitas curas para serem trabalhadas aqui dentro. O trabalho é diário. Gratidão por todo o seu apoio Bito. Por sempre se importar comigo. Eu sinto que você é uma das pessoas, com quem eu mais aprendi nessa vida. Você me fez enxergar o quanto sou capaz. Sinto muitas saudades de você! Transbordo gratidão. Eu amo você!

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

E se os homens também tivessem o direito de abortar?

Quanto a mulher poder decidir sobre o que fazer com o próprio corpo, é inegável. Por outro lado, e se a gravidez é anunciada e quem não deseja ser pai é o homem?

No contexto atual, as mulheres recebem o título de "mãe solteira", que parafraseando o Chico César "que tem fazer mamadeira todo dia, além de trabalhar como empacotadeira nas casas bahia". 

Segundo levantamento da Central Nacional de Informações do Registro Civil (CRC), em 2019, foram quase 81mil crianças ficaram sem o sobrenome paterno no Brasil.

Mas e se o homem não deseja ser pai?

Pensei em dois cenários:

*Se a mulher engravida e não quer ser mãe. Tem o direito de abortar.

*Se a mulher engravida e quer ter o filho, mesmo que o homem não queira. Nesse caso, a mulher deveria assinar um documento que a tornaria completamente responsável pela criança, desonerando assim o homem de qualquer obrigação, inclusive de pensão alimentícia.

Isso poderia reduzir as situações da mulher engravidar para salvar a relação ou por outros tipos de interesse. Esse é um assunto polêmico  que precisa ser bastante conversado. 

#abandono #aborto #escolha #respeito

@chicocesarchegandoeabalando

sábado, 22 de agosto de 2020

Quero ser tempestade

Já fazem dias que estou aqui. Eu, meu barco e o oceano. Observo diversos tons de azul no céu e no mar, dias e noites. A lua e os pássaros são agora, as minhas mais presentes companhias.
Joguei a bússola ao mar, pois não preciso de informações. Quero sentir o próximo passo. Tenho a sensação de estar quase parada, ou então de estar dando voltas. Essas são as duas grandes questões, definir um objetivo e então se movimentar.
Quando há um lugar definido, me sinto executando uma invenção. Sei o horário em que o sol nascerá, os dias de chuva, tenho muitas tarefas para o dia. O problema em se ter um objetivo, é não conseguir desfrutar do caminho. Por outro lado, atingir o objetivo,  muitas vezes, é tão desolador.
E então, passam-se os dias enquanto observo. O tédio se apropria de mim, me violenta e o desespero chega. É muita angústia. Preciso urgentemente saber para onde estou indo. Quem receberá a minha visita? 
Decido. Abro a vela, mas antes de terminar a arrumação, nuvens escuras se aproximam, (no momento em que o tempo está fechando vejo uma das cenas mais belas. É como se a natureza se orquestrasse com o que há de melhor e de pior, para testar meus limites). Ventos fortes, chuvas,  ondas gigantescas, tempestades, raios, trovões. Descontrole. Caos.
Depois de uma noite interminável, concluo: como é bom sentir.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Como posso, se não existo?

Uma forte crise de rinite, em que fui expulsa pelos ácaros de casa, foi o suficiente para criar um pouco mais de compaixão e empatia.


Às vezes, temos dificuldade em aceitar o jeito indeciso de uma pessoa, sua falta de coragem, falta de confiança. E então nos indagamos, mas meu Deus, ela já é uma pessoa adulta!

Sim, você tem razão. Ela é uma pessoa maior de idade. Mas além disso, ela também tem infinitas necessidades fundamentais não atendidas. E sim, a pessoa possivelmente precisa de uma terapia que possa ajudá-la a se sentir mais em paz com a própria história. Que possa elaborar suas angústias, suas perdas, suas culpas, seus medos. Trabalhar suas necessidades de amparo, de cuidado, de pertencimento, de se sentir merecedor, amado...

Se você tem pessoas com quem pode contar, amigos, familiares, rede de apoio, celebre muito! No grupo dos neuróticos anônimos, por exemplo, temos histórias doloridas de famílias que não conseguem dialogar. Pessoas muito sozinhas. Pessoas que nunca encontraram seu lugar no mundo. Pessoas que não sentem mais.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Res.pi.ra

Nos momentos em que desejo ser atravessada,
Por você,
Algo grita enlouquecidamente dentro.
Uma voz que pre_ci_sa extravasar.
Sentir prazer,
Sentir acolhimento.

É dolorido demais olhar para a minha ferida narcísica.
Nada é suficiente para agradar a minha mãe.
Sempre ela acha um problema.
Até no presente que enviei recentemente.
Dói, dói muito.
Consciente escolho parar de insistir.
Escolho a fantasia de você.
Que é real.
De toque, real.
De abraço, presente.

Continuo a insistir na análise!
Rubia
#psicanálise #autocura #transmutação 
#respira

domingo, 2 de agosto de 2020

Menos um

Na sexta 31/07/20, fui na psiquiatra e mais um antidepressivo foi retirado (razapina). Celebro esse momento e esse caminho de autoconhecimento que estou trilhando, pois em momentos mais doloridos tive o amparo de antipsicoticos, bem como do lítio, da quetiapina entre outros que tomei nesses cinco anos.
Lembro que com o risperidona tive um efeito colateral incômodo, pois saia leite dos meus seios, além da libido reduzir muito.
Permaneço ainda com o venlafaxina 150mg.
Permaneço também a cada dia mais entendendo e aceitando o vazio.

Quando temos espaço, temos movimento.
Criamos a nossa realidade, e aprendemos a nos responsabilizar por ela.
Um dia de cada vez.
Paz e serenidade.

sábado, 1 de agosto de 2020

A distância dos abraços

Desde a minha infância aprendi sobre,
A distância segura dos abraços.
O colo masculino, que não embalou,
O calor, o aconchego, o som que desconheço.

Aprendi a aceitar,
E a conviver com esse vazio.
Por gentileza, não pise nele. Desmerecendo-o ou tentando preencher.

Que nesse instante de nossa presença,
Desse sagrado tempo de QUALIDADE,
Possamos res pi rar.
Sou grata por me permitir sentir confiança.
Gratidão vida.
Rubia

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Coco e plástico

Uma pergunta para quem tem cachorro. Qual destino você dá para os dejetos que ele produz? A resposta mais comum é, recolho com o saco plástico e coloco no lixo. Um amigo me disse, que as cachorras dele fazem na varanda, ele recolhe e joga no vaso sanitário. Pensei que talvez dessa forma, de recolher em um recipiente e jogar no vaso, fosse melhor do que a cada coco feito, utilizar uma sacola plástica que leva mais de cem anos para se decompor. A sacola continuará no planeta mesmo depois que eu morrer. Meus Deus! Isso é  tempo demais!

Testei com a embalagem de papel, daquelas que vem o pão, visto que o papel leva em torno de 99 anos e meio a menos para se decompor, do que o plástico. No entanto, tive dois problemas. O papel nao isola o cheiro e para quando estiver mais líquido pode rasgar o papel.
Ou então poderíamos fazer o uso da sacola de forma mais consciente, como muitas mães usam a fralda descartável, apenas para quando for sair. E quando os cães fizerem seus excrementos na varanda ou no condomínio, dar prioridade para jogá-los diretamente no vaso sanitário.
Há também a opção das sacolas biodegradáveis, para o passeio. E você, como você faz com essa questão? 

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Amparo

Nossos homens, a guerra levou. Muitos daqueles que voltaram vivos, apresentaram problemas mentais. Soube da história de um bisavô, que entre outros traumas, desenvolveu a mania de enterrar dinheiro.
Nossas mulheres assumiram, os filhos, o lar, o comércio, o cuidado, os enfermos, enquanto nós, seus familiares desolados, ficamos sedentos por 
Amparo.
Colo.
Calor.

Nossas mulheres carregando a função do cuidado desde sempre. Quem cuida do cuidador?


quarta-feira, 22 de julho de 2020

Qual é o som que traduz meu carinho por você?

O toque,
Comunica.
Ao roçar a pele,
Ressoa na alma.
O seu tom,
Comunica.
Ao chegar aos ouvidos,
Se faz em abraço, mesmo à distância.
A massagem,
Comunica.
Ecoando, em cura e autocuidado.
Expando.

A dança,
Comunica.
Embalada pelas notas,
Transcendo tempo e espaço.

I.R.

domingo, 5 de julho de 2020

Tragédia anunciada

Avô e tio.
Não dito.
Obscuro.
"Não venda as minhas coisas."
Amarguras.
Palavra maldita.
Silêncios.
Décadas.
Adoecimento do avô.
Hospital.
Acidente do tio.
Óbito do segundo.
Óbito do primeiro.
Velório de ambos.

Vô Armim Rockenbach,
Reconheço e honro a importância da sua vida para nós, os seus descendentes. Gratidão avô. Já pode descansar em paz.
Sinto muito, me perdoe, te amo, sou grato.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Memórias de mãe



Hazu

O simples fato de ter que afastar um cachorro, que cheirava a minha, foi o suficiente para me trazer uma memória dolorida, de repressão do meu desejo. 
Aos 17 anos, eu gostava de um menino,  mas meus pais não deixavam eu me aproximar dele. Minha tia dizia: beija em cima, esquenta em baixo. 
Até nos raros passeios de escola, minha mãe ia junto, ou mandava alguém ir. Nunca sozinha, era a regra.

O grêmio da escola promovia festas e eu sempre queria ir, mas NUNCA podia, porque morávamos em um bairro violento. Uma vez, aos 15anos, minha vizinha convenceu minha mãe a deixar eu e a filha dela irmos na festa. Minha mãe me autorizou, com a condição de que eu fosse para casa, quando chegasse. Não deixou eu dormir lá. Aceitei.
Quando cheguei, ela estava muito braba, meu irmão com três anos chorava. Ela entrou no quarto e disse: "Você não queria festa, festa, festa? Agora faz ele fechar a boca!" Deixou ele na minha cama e saiu. Ele dormiu comigo naquela noite, devia estar com frio.

Nos passeios de escola, tínhamos que levar algo para comer. Eu sempre voltava com o bolo intacto. Acho que minha mãe fazia só por obrigação. Não ia cortado, nem com cobertura. Comíamos o dos outros.

Pode parecer que reuni aqui apenas coisas difíceis para contar. Essas foram algumas memórias que brotaram nas últimas horas, sem esforço. Hoje, observo que cada elemento desse, me faz a mulher que Sou.
Essas histórias me compõem. Eram poucas balas para acertar o alvo e ir para um lugar de escolha. E o papel de nos alertar, minha mãe fez muito bem. Ela dizia que nos treinava para a vida, que nada nos abalaria quando chegássemos lá fora.
E foi bem assim.
Trabalhei em um mercado, durante mais de um ano. Eram seis dias na semana trabalhados e uma folga, e quando eu tinha o domingo do mês livre, eu perguntava se alguém queria trocar, porque eu preferia trabalhar. 
Qualquer lugar era melhor do que a minha casa, pois lá nunca paravamos de trabalhar, e no mercado eu estaria trabalhando também, mas com a vantagem de ver pessoas e podia escolher o que comer.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Pai

Pai,
Amo tanto você que nem consigo imaginar te chamar de padrasto. Jamais!
Você me registrou. Teu nome levo pra sempre, no documento e no coração.
Já faz uns dias, que senti de te escrever uma carta de gratidão. No mês do meu aniversário, eu viro uma maquininha de escrever.
E então começou a música pequeno burguês, do Martinho da Vila:
"Felicidade, passei no vestibular,
Mas a faculdade é particular..."

Tínhamos um cd do Martinho da Vila, e sempre me identifiquei com essa música.
Quero te agradecer pai.
Pelo seu esforço, para não faltar comida.
Por todos esses anos aguentando firme.
Seu trabalho, os ônibus, a superlotação.
E ainda construía a nossa casa e
De todos familiares e amigos.

Gratidão por ter feito a minha segurança na volta das aulas da faculdade a noite.
A gente voltava andando por 30 minutos, às vezes embaixo de chuva.
E você nunca reclamou.
Sou grata ao tio Flávio também,
Que quando você não podia, ele ia.

Lembro de quando você fazia o supletivo e ficávamos fazendo aquelas lições até uma ou duas da manhã.
E no dia seguinte as seis, você já estava no ônibus.
Meu pai sempre foi assim. Dizia que seu nome era trabalho, e o sobrenome, hora extra.

Se eu estudei, 
Se hoje eu moro em um lugar maravilhoso,
Você, com certeza pai,
Contribuiu nessa minha trajetória.
MUITO OBRIGADA!!!
GRATIDÃO!!!

Celebro e honro muito a sua vida pai.
Gratidão por me ensinar sobre humildade, 
Sobre a importância do trabalho,
Sobre lealdade, 
Sobre família,
Sobre o silêncio.

Te admiro muito e sinto saudades.
Um forte abraço.
Rubiamara


quarta-feira, 10 de junho de 2020

Sobre os próprios pés

Minha ancestralidade o mar carregou.
Apesar do medo, tenho vontade de sentir suas águas.
Desejo respirar a brisa, sentir o calor, o cheiro e a plenitude desse lugar.

Descalço o pé direito e o coloco na areia. Enquanto o outro calçado me firma no presente.
Me ampara.
Meus pés já estiveram com a outra pessoa.
Celebro eu já sentir a areia.
Tão fina, macia, úmida e movediça.

Observo...
Continuo a observar...
2020 sou meu próprio apoio.
Me amo e me aceito, profunda e completamente.

Ereta,
Desejo conectar corpo, mente e coração.
Mas para entrar no mar,
É necessário fôlego,
Ancorar o barco.
É preciso intenção.

Já sei gostar de companhia.

Reconheço que sou muito corajosa.
E plenamente capaz.
Hoje dei férias para as minhas pulsões.
Escolho me tratar melhor.
Caramba, eu estou de quarentena!
2017

terça-feira, 9 de junho de 2020

Masculinidade tóxica

Sob a luz da vela escrevo.
Sim, foi violência.
Não procuro culpados. Preciso sim dar voz a essa angústia, que até ontem não tinha nome. Reconhecer a VIOLÊNCIA que testemunho na minha família.
Quebrar o seu brinquedo, jogar a televisão contra o muro, dar um soco no meio do fogão após ele ter sido consertado, ter as janelas da casa quebradas, ter as roupas rasgadas.
Silenciamento.
Silenciado.
Pai, negro, trabalhador, de poucas palavras.
Sim, a masculinidade é tóxica. Não ser permitido aos homens falar sobre seus sentimentos, decepções, expectativas e angústias, imagino que vá sufocando.
Eu sempre dizia, pelo menos ele nunca descarregou a raiva em nós, mas ainda assim, ver suas coisas sendo destruídas, também é violência.
(...)
Chega de violência! Precisamos construir um novo caminhar.

domingo, 7 de junho de 2020

Sem sombrancelha

Já faz tempo que me incomodo com as minhas sobrancelhas. A do olho direito é irregular. E nunca consigo deixar as duas semelhantes. 
Hoje foi o dia que me irritei e raspei toda. E após tirar todos os pêlos, enxerguei uma cicatriz. Lembrei do acidente aos seis anos de idade, em que por pouco não cai dentro da piscina de cal queimando.
Então sim, a minha sobrancelha irregular é um lembrete ao meu corpo, de que tenho um anjo da guarda muito forte, rsrs.
E você, já pensou sobre as suas "imperfeições"?

O sumiço do cadáver

Eu devia ter uns dez anos, quando o nosso cachorrinho recém chegado morreu. Chegando da escola pouco depois do meio dia, perguntei pelo cachorrinho. Ouvi dizer que ele tinha morrido porque ficou a manhã toda no sol.
"-Ficou no sol, morreu e já foi enterrado?" - me perguntava.
...
Desolada, triste e não acreditando nessa história, perguntei pro meu irmão, com quatro anos na época, onde o cachorro havia sido enterrado, e fui lá desenterrar, sem os adultos verem.
Em um mix de medo, e de tristeza, comecei a cavar mais ou menos onde ele mostrou, e aos primeiros sinais dos pelos na terra, saí correndo e desisti da despedida.

Isso me fez lembrar da nossa desafiadora tarefa de aceitar os ciclos. Aprender a se despedir com respeito e gratidão.
Não é a primeira vez que lembro dessa história. Na verdade, toda vez que minhas cachorras ficam cheirando um local específico da grama, fico pensando que talvez ali também esteja o cadáver de algum cachorro.
Eu vejo você. Agora pode ir.🙏

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Parcerias da vida

Camila,
Mulher, bruxa,
Índia, ama viver pintada,
E pelada.
Dona de uma libido,
De uma energia de criação,
E de uma personalidade forte.
Dançarina de forró,
Fotógrafa dos detalhes.
Das flores, das folhas, dos pássaros.
Dona das palavras, dos sentimentos.
Professora, mestra e tantas outras coisas.

Camila é,
O chazinho do cuidado,
A sopa da força.
O bolo, o pão.
A passara do irmão.

Sinto que muito do meu transbordar,
tem relação com a sua potência.

Saudade de você, minha deusa inspiradora.
Amo você!😍
Gratidão

domingo, 31 de maio de 2020

Sobre paus, pedras e minhocas

Na minha infância, brincávamos de desvirar paus e pedras da horta da minha mãe. Naquele ambiente úmido e escuro, queríamos ver os diferentes bichos que apareceriam ali, além das minhocas e dos tatuzinhos. Mas, a ideia do que poderia aparecer nos amedrontava, e então, pegávamos um pedaço de pau para ajudar na tarefa. No entanto, independente da ajuda que recebêssemos (do pedaço de pau ou da companhia do outro), precisávamos agir com cautela, pois teríamos que lidar com as consequências do ato, individualmente.
O processo da cura da depressão ocorre de forma semelhante. Analiso diariamente as pedras para ver o que há embaixo delas, com o apoio de pessoas queridas que me ajudam muito, (inclusive se você receber essa mensagem, saiba que você tem me dado muito apoio nos últimos dias. Gratidão!!!). Apesar desse importantíssimo apoio, continuo tendo que lidar com os monstros que aparecem, sejam dos pensamentos perturbadores do inconsciente ou dos efeitos colaterais que o remédio tem manifestado. De qualquer forma, tanto na infância quanto hoje, é preciso ter coragem e força para seguir o caminho do (auto)conhecimento. Essa é a mensagem.

autora: Rubiamara

sábado, 30 de maio de 2020

Caos

O caos me é conhecido,
Incendeio para salvar o que sou.
Adormeço em águas mansas,
Em tempestades, existo.

Crio,
O que não está dentro.
E me transformo,
Nesse transbordamento todo.

Vulcaozinha.
Amansa esse teu peito.
Cuida dessa auto-estima.
Vá por você, vá por nós!
08/04

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Meus irmãos - 29/05/2020

Todas as histórias merecem um fim digno. Essa conclusão é fruto de um profundo sentimento de amor e respeito que adquiri por mim.
Se a história está em aberto, o nosso inconsciente trabalha para que ela tenha o seu lugar, o seu fim. Ontem me observei desejando ter o laudo de uma doença terminal, para que assim talvez meus irmãos superassem a traição do pai, e conseguissem aceitar a irmã em seus últimos dias.
Sim, esta é a minha ferida. Assim como existem inconformados filho único, eu sou a pessoa que sonha encontrar seus irmãos mais velhos.
Ou sonhava...
Percebi que preciso encerrar essa novela mexicana. Compreender a dificuldade deles em aceitar a minha existência. Diante disso, decidi hoje, enterrar o ideal que tenho dos meus irmãos. (Silêncio)
Enquanto minhas lágrimas caem, quero acreditar que fiz o que estava ao meu alcance. Escrevo agora uma despedida.

Dinis e Dalton,
(Silêncio)
(Silêncio)
Ainda que essas palavras não cheguem até vocês, gostaria que soubessem, que apesar de sentir muita falta de vocês, de querer muito abraca-los, eu respeito a dor de vocês e de agora em diante, eu os libero. (Silêncio)
...
Um abraço em vocês dois D e D.
Rubiamara

Abaixo o poema sem palavras, da Gioconda Belli.
SEM PALAVRAS
inventei uma grande árvore,
maior que um homem,
maior que uma casa,
maior que uma última esperança.
Fiquei com ela durante anos
sob sua sombra
esperando que falasse comigo.
Eu lhe cantava canções,
abraçava-a,
coçava sua rugosa casca
entremeada de samambaias,
meu riso rebentava flores em seus galhos,
e a cada gesto meu cresciam-lhe folhas,
brotavam-lhe frutas…
Era minha como nunca nada foi meu,
mas não falava comigo.
Eu vivia atenta aos ruídos dela,
ouvindo seu suave esvoaçar de borboleta,
seu rangido de animal da selva
e sonhava com a voz dela como um lindo canto,
mas não falava comigo.
noites inteiras chorei a seus pés,
apertada entre suas raízes,
sentindo seus braços sobre mim,
vendo-a erguida sobre mim,
sabendo que pensava em mim,
mas não falava comigo…
Aprendi a cantar como pássaro,
a acender-me como vaga-lume,
a relinchar feito cavalo.
Às vezes me enfurecia e fazia com que caíssem
todas as suas folhas,
deixava-a nua e envergonhada
diante dos guanacastes,
esperando que — talvez — entendesse ter sido por mal,
como alguns homens,
mas nada.
Aprendi tantas coisas para poder lhe falar,
despi-me de tantas outras necessidades
que esqueci até como eu me chamava,
esqueci de onde eu vinha,
esqueci a que espécie animal eu pertencia
e fiquei muda e sempre-viva
— esperançosa —
entre seus galhos.



quinta-feira, 28 de maio de 2020

NEM TODO HOMEM

Nem todo homem trata as mulheres como objeto sexual.

Nem todo homem abusa da sua irmã menor, pedindo para que ela o masturbe.

Nem todo homem faz filho, não registra e decide as leis proibindo a mulher de abortar.

Nem todo homem pede para a criança procurar ferramentas, enquanto esfrega"sem querer" o órgão genital na bunda dela.

Nem todo homem aproveita para passar a mão em uma mulher no ônibus lotado.
Nem todo homem alimentará em sua companheira a competição histórica entre as mulheres.

Nem todo homem dá carona e desvia-se do trajeto esperando um "agrado".

Nem todo homem fala por uma Mulher.

Nem todo homem expõe a intimidade que tem com a companheira.
Nem todo homem quer ter a fama de pegador.

Nem todo homem vangloria um padrão de corpo.

Nem todo homem tenta matar a companheira porque ela não o deseja mais.

...
Mas todo homem precisa ser orientado desde criança, para que essas situações de opressão não sejam naturalizadas.
Camila Grassi e Rubiamara.
25/05/2019


O SAGRADO FEMININO, O SAGRADO MASCULINO E O TANTRA.

"Há um Masculino e um Feminino Divino dentro de cada ser. Essas energias, quando em harmonia e plenitude, criam totalidade e equilíbrio para uma existência feliz. O cérebro esquerdo lógico e o cérebro direito intuitivo unem-se no coração. Permitir que as emoções sejam liberadas sem repressão, tomando consciência da presença do Sagrado Feminino, é aceitar e honrar a Intuição, substituir a força pela compreensão, abrir a mente, deixar o coração falar, por meio de um comportamento mais amoroso para o equilíbrio nas ações e na vida e, assim, ter uma vida mais feliz, com qualidade.

No Tantra a energia feminina é trabalhada e reverenciada o tempo inteiro, dando ênfase ao equilíbrio do feminino como pilastra energética. É com o desenvolvimento equilibrado dessa energia que os homens crescem, isto é, com a dose certa do feminino e do masculino dentro de si."

http://riofiqueligado.com.br/o-sagrado-feminino-o-sagrado-masculino-e-o-tantra-claudia-guilherme-2017/

Marielle presente!

Há um asteróide que recebe as pessoas chamado B212. Esses dias lendo o jornal, me alegrei em saber que Marielle continua com aquela força que tinha quando estava entre nós. No entanto, hoje ela mora lá,  e não precisa defender os direitos das mulheres, dos negros, da periferia, dos LGBTQIs, pois no lugar onde vive, homens e mulheres tem os mesmos direitos, assim como não há desigualdade social, e nem diferenças raciais ou religiosas. Assistimos diariamente muitas pessoas partindo para o asteroide B212, sem com que compreendamos muito bem.
Essas pessoas foram para lá, enquanto suas sementes germinam entre nós.
.
Rubiamara - 04/02/2019

Maquininha de costurar

A insistência da minha cachorra @oihazu em ir na área comum encontrar o novo amigo me lembrou uma história. 
Eu devia ter uns oito anos. Meu pai chegou cansado do trabalho (depois de mais de 4h de ônibus, além do trabalho pesado), e eu pedi para ele montar a máquininha de costurar que eu tinha ganhado. Era novidade ter um brinquedo e eu estava realmente ansiosa. Pedi várias vezes, até que ele pegou a máquina e jogou no chão, sobrando apenas o carretel de linha. Doeu o coração, mas não chorei.
Não guardo mágoas do meu pai, mas ainda hoje tenho curiosidade de saber se aquela maquininha costurava mesmo.

Comida de mãe

Quais adjetivos você usa para descrever a comida da sua mãe? Boa, gostosa, familiar, razoável, cheirosa, temperada, super acolhedora, sofisticação rústica, bom gosto despojado, natureba com malícia, maravilhosa, caseira e saborosa?
"Nuuu... Deliciosa, maravilhosa, saborosa, suculenta... A melhor comida do mundo, acho q é a única comida que não canso de comer... Hehehe"
@napu88

Fico feliz por vocês! Os que uso para a comida da minha mãe são: ruim, sem tempero, sem gosto, queimada. A sopa tinha água, não caldo. E em mim sempre ficou uma sensação de não ser acolhida nem pelo estômago, nem pelo colo, nem por palavras, ou por cafuné. 
Dada a curiosidade, perguntei hoje à minha mãe o motivo dela não gostar de cozinhar, ela me respondeu: "Filha eu nem sabia cozinhar, aprendi com a sogra, depois que me casei. E só acho ruim quantas mulheres que deixam de fazer o que querem para cuidar dos filhos."

Que a nossa mãe nos amava, não tenho dúvidas. Ela sempre foi muito presente, apesar de não conseguir ser muito afetuosa. Sempre nos orientou para o trabalho. Lavavamos as janelas as 5horas da manhã. E hoje quando digo que não gosto de jogar, que tenho dificuldades para ficar ociosa, é difícil para quem está perto compreender. Preciso aprender a desfrutar da colheita. Devo me permitir sentir prazer.


Dormir com medo

Quando eu tinha uns oito anos, viajei com a minha tia e duas primas para visitar meu avô que morava sozinho no interior do Paraná. A casa era um sobrado antigo, de madeira, em que na parte de baixo tinha uma lanchonete que havia sido fechada em 1979, ano em que minha avó faleceu.

Meu avô sempre tomava o seu chimarrão com a água aquecida no fogão a lenha. Havia uma televisão preto e branco com botões. O banheiro era fora da casa, e dava medo das aranhas. 
Havia muitos quartos, mas iríamos dormir as quatro no mesmo. Assim como minhas primas, eu também estava com medo, mas ao lado da minha tia eu não poderia dormir, pois as minhas primas já ocupavam seus lugares.

Foi semelhante quando a minha mãe se casou. E eu apenas com quatro anos era contra o casamento, pois sabia que se ela se casasse, eu perderia o calor que só sentia por dormir na mesma cama que ela.

Confesso que é dolorido relembrar algumas coisas, mas estou procurando olhar para a sombra, para essa dificuldade em preparar o alimento que ainda afeta o meu presente.

Apesar das dores, sou grata à minha história, à minha mãe, à minha tia, à nossa ancestralidade. Pelas estradas desse caminho, aprendi muito sobre afeto, sobre acolhimento, cuidado, compaixão, sensibilidade e solidariedade. 

Admira a beleza

Admira a beleza, Defende a verdade, Venera a nobreza, Escolhe a bondade! Assim é que o homem Será conduzido, Às metas na vida; Aos retos cam...