João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Um olhar sobre o texto de Drummond
Sempre achei esse texto deprimente. O amor nunca era correspondido, e teve até suicídio.
Lili não amava ninguém e foi a única que se casou. Curioso não é mesmo? Me pergunto, o que seria amar, nesse caso? Seria desejar no outro o que não está resolvido dentro?
Será que o João, a Teresa, o Raimundo, a Maria e o Joaquim estavam alimentando suas próprias fantasias, provenientes da falta, ao invés de se fortalecerem como indivíduos? Por serem mulheres, em uma cultura patriarcal, como terá sido a criação de Teresa e de Maria? Será que se reconheciam como sujeitos, ou aguardavam um homem para validá-las?
Ainda que vivamos no ano de 2020, nossos pais, avós e ancestrais viveram em épocas, em que o divórcio era proibido. Só a partir de 1977, que as pessoas puderam optar por desfazer o contrato que prometia "o felizes para sempre".
É natural que muitas mulheres ainda sentirão muita pressão sobre si, pois foram criadas para serem boas, passivas e preparadas para exercer o cuidado familiar.
Aposto que Lili, na história acima, já se sentia merecedora, e conseguia reservar um tempo para atender as próprias necessidades, além de ter aprendido a fazer diversas coisas com o corpo, que permitiam a alegria entrar. Dançar, batucar, cantar, gingar, brincar, gargalhar, nadar, ler, escrever, tocar, fazer yoga, jogar capoeira, jogar diversos jogos, ouvir os pássaros, deitar na grama, fazer amor com o mar, tomar sol, perfumar o lar com incenso, acender as suas velas, meditar, ouvir, agradecer e fazer nada também, se assim o desejasse.
Espinosa nos recomenda apostar nos prazeres difíceis, como aprender uma nova habilidade, um novo hobby e não ser escravo dos prazeres fáceis como comer, beber, fumar, ver TV, fazer sexo... Segundo ele, o prazer no corpo, é prazer na alma. Surge então, a sensação da plenitude, reduzindo os espaços para o ódio. Aposto que a Lili tinha também um vibrador, pois ele é um super aliado, nas explorações das sensações do corpo e do fazer amor consigo mesma.
Nesse poema, um dos três homens, tirou a própria vida. A masculinidade tóxica também silencia o choro dos homens. Tentando ser sempre fortes e provar que são machos, muitos homens se explodem. Desejo que tenhamos sabedoria, para lidarmos com os desafios do momento presente. Que possamos esvaziar a nossa bacia de pedras, para a luz entrar, pois a fonte da luz não cessa, apenas precisamos ter espaço dentro.
Respira.🌺
Rubiamara
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