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| Amarelinha |
Sinal do intervalo. Crianças no pátio formando espontaneamente uma fila. Havia algo desenhado no chão e cada criança aguardava a sua vez para brincar. O desafio era pular com uma perna e depois com as duas, e assim sucessivamente, até chegar ao céu. Trabalhavam equilíbrio, velocidade, coordenação motora, socialização e se divertiam muito.
Cada criança lançava a pedra sobre o desenho, para determinar o espaco que não poderia ser pisado, chamado também de "espaço vazio".
- Concentra e já!, - torciam.
Quando tinham que ficar muito tempo em uma perna só, como por exemplo, se a bendita da pedra caísse no número dois, teria que pular nos números um, três e quatro, só pra depois então, poder pisar no cinco e no seis juntos. Ufa! Aumentava-se o cansaço físico, mas as crianças sabiam que era fundamental respeitar esse espaço. Desde pequenos aprendiam, que o vazio fazia parte do jogo, e era mais fácil suportar sua existência na presença uns dos outros. Depois de cumprir todas as regras, chegava-se ao céu. E como era bom sentir que vivía-se plenamente aquele céu. Só não entendiam como aqueles vinte minutos passavam tão rápido.
O VAZIO DA AMARELINHA
Todos nós sentimos, de vez em quando, uma sensação de vazio. Seja de fome, de disposição, de saudade ou de solidão mesmo.
É um grande desafio viver com a sensação da falta. Cláudio Thebas, no livro "O Palhaço e o Psicanalista", fala sobre a importância do brincar. Ele afirma que brincar é realizar um percurso juntos. Ele lembra da brincadeira de esconde-esconde, em que a pessoa se espremia atrás da pilastra, em conexão com tudo à sua volta. "Brincar envolve também, ficar esperando na estação, ficar perdido sem saber para onde ir, tropeçar e perder as malas...", - lembra o autor.
No texto "Amarelinha", a pedra tem a função de sinalizar o vazio. Geralmente o vazio desestabiliza, então procuramos coisas para preenchê-lo Com o passar do tempo, com autoconhecimento, e análise principalmente, a gente vai falando sobre as nossas dores e nos curando. Passamos a entender que o vazio faz parte do jogo (e da vida) e não se desequilibra com tanta facilidade. Aprende-se a pular com uma perna só, equilibrando, respirando, e vivendo a presença. Se esvazia, para ter mais momentos de qualidade e maior leveza.
Acredito que deveríamos ser mais incentivados a BRINCAR. Talvez conseguíssemos sustentar melhor o vazio. Desejo que esse texto possa colaborar um pouco com o vazio de vocês!
Gratidão

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