segunda-feira, 21 de setembro de 2020

A peneira da existência

Há alguns anos, não tenho prazer na comida. Não gosto de cozinhar, e é inviável comer fora todos os dias. Então, faço sempre o mesmo: feijão e arroz. Deixo o feijão de molho, de um dia para o outro, cozinho na panela de pressão e coloco os temperos. O arroz é mais rápido. Congelo metade do feijão cozido. Sinto muita alegria ao perceber que tenho comida para a semana toda.

Quando chega a hora do almoço, costumo ficar mais triste, e sempre torço para que tenha sobrado um pouco da janta da noite anterior. Olho no relógio, e já é meio dia. Decido varrer a casa, dobrar a roupa e fazer qualquer coisa que não seja cozinhar, com a esperança que brote algo para eu comer. "Acho que hoje não vai rolar almoço, vou colocar o feijão de molho."

Sinto vergonha em falar isso, pois sei que tem pessoas que passam fome. Um dia comentei com um amigo e ele me disse: "Mas não é porque a vida do outro está ruim, que a minha melhora!" É muito importante sermos gentis com as nossas próprias dificuldades. Apesar da minha relação com a comida não ser boa, reconheço os meus avanços e me parabenizo. Seguimos!🌺

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