Ainda tem o chá de ontem. Chá de camomila faz bem para a pele, pensei. Minutos após esse pensamento, me vejo com o algodão umedecido passando no rosto. Foi bonito presenciar esse ato de autocuidado entre eu e meu corpo.
Meu rosto sempre teve espinhas e cravos, o que era motivo para alguns familiares ficarem bastante tempo as espremendo. Os furos das orelhas sempre inflamavam. Me é familiar ter sempre algum buraco no rosto vazando.
Quando Freud pergunta: qual é a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?, acredito que ele queria saber, qual é o ganho em não cuidar das próprias inflamações, por exemplo. Talvez porque eu queria acessar um lugar de presença, de atenção, de colo, de ter a sensação de ser cuidada, que acontecia quando as espinhas eram espremidas. Resistência a amadurecer e assumir o protagonismo da própria vida.
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