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| Hazu |
O simples fato de ter que afastar um cachorro, que cheirava a minha, foi o suficiente para me trazer uma memória dolorida, de repressão do meu desejo.
Aos 17 anos, eu gostava de um menino, mas meus pais não deixavam eu me aproximar dele. Minha tia dizia: beija em cima, esquenta em baixo.
Até nos raros passeios de escola, minha mãe ia junto, ou mandava alguém ir. Nunca sozinha, era a regra.
O grêmio da escola promovia festas e eu sempre queria ir, mas NUNCA podia, porque morávamos em um bairro violento. Uma vez, aos 15anos, minha vizinha convenceu minha mãe a deixar eu e a filha dela irmos na festa. Minha mãe me autorizou, com a condição de que eu fosse para casa, quando chegasse. Não deixou eu dormir lá. Aceitei.
Quando cheguei, ela estava muito braba, meu irmão com três anos chorava. Ela entrou no quarto e disse: "Você não queria festa, festa, festa? Agora faz ele fechar a boca!" Deixou ele na minha cama e saiu. Ele dormiu comigo naquela noite, devia estar com frio.
Nos passeios de escola, tínhamos que levar algo para comer. Eu sempre voltava com o bolo intacto. Acho que minha mãe fazia só por obrigação. Não ia cortado, nem com cobertura. Comíamos o dos outros.
Pode parecer que reuni aqui apenas coisas difíceis para contar. Essas foram algumas memórias que brotaram nas últimas horas, sem esforço. Hoje, observo que cada elemento desse, me faz a mulher que Sou.
Essas histórias me compõem. Eram poucas balas para acertar o alvo e ir para um lugar de escolha. E o papel de nos alertar, minha mãe fez muito bem. Ela dizia que nos treinava para a vida, que nada nos abalaria quando chegássemos lá fora.
Essas histórias me compõem. Eram poucas balas para acertar o alvo e ir para um lugar de escolha. E o papel de nos alertar, minha mãe fez muito bem. Ela dizia que nos treinava para a vida, que nada nos abalaria quando chegássemos lá fora.
E foi bem assim.
Trabalhei em um mercado, durante mais de um ano. Eram seis dias na semana trabalhados e uma folga, e quando eu tinha o domingo do mês livre, eu perguntava se alguém queria trocar, porque eu preferia trabalhar.
Qualquer lugar era melhor do que a minha casa, pois lá nunca paravamos de trabalhar, e no mercado eu estaria trabalhando também, mas com a vantagem de ver pessoas e podia escolher o que comer.

Essas histórias que nos vem a tona é mt bom compartilhar , consegui ver esses momentos relatados na minha frente como um filme mesmo!
ResponderExcluirÉ verdade. Nossas lembranças vem como um filme, momentos às vezes felizes, às vezes doloridos, que precisam ser curados. É muito bom compartilhar.
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