Todas as histórias merecem um fim digno. Essa conclusão é fruto de um profundo sentimento de amor e respeito que adquiri por mim.
Se a história está em aberto, o nosso inconsciente trabalha para que ela tenha o seu lugar, o seu fim. Ontem me observei desejando ter o laudo de uma doença terminal, para que assim talvez meus irmãos superassem a traição do pai, e conseguissem aceitar a irmã em seus últimos dias.
Sim, esta é a minha ferida. Assim como existem inconformados filho único, eu sou a pessoa que sonha encontrar seus irmãos mais velhos.
Ou sonhava...
Ou sonhava...
Percebi que preciso encerrar essa novela mexicana. Compreender a dificuldade deles em aceitar a minha existência. Diante disso, decidi hoje, enterrar o ideal que tenho dos meus irmãos. (Silêncio)
Enquanto minhas lágrimas caem, quero acreditar que fiz o que estava ao meu alcance. Escrevo agora uma despedida.
Enquanto minhas lágrimas caem, quero acreditar que fiz o que estava ao meu alcance. Escrevo agora uma despedida.
Dinis e Dalton,
(Silêncio)
(Silêncio)
(Silêncio)
Ainda que essas palavras não cheguem até vocês, gostaria que soubessem, que apesar de sentir muita falta de vocês, de querer muito abraca-los, eu respeito a dor de vocês e de agora em diante, eu os libero. (Silêncio)
...
Um abraço em vocês dois D e D.
Rubiamara
Abaixo o poema sem palavras, da Gioconda Belli.
SEM PALAVRAS
inventei uma grande árvore,
maior que um homem,
maior que uma casa,
maior que uma última esperança.
Fiquei com ela durante anos
sob sua sombra
esperando que falasse comigo.
Eu lhe cantava canções,
abraçava-a,
coçava sua rugosa casca
entremeada de samambaias,
meu riso rebentava flores em seus galhos,
e a cada gesto meu cresciam-lhe folhas,
brotavam-lhe frutas…
Era minha como nunca nada foi meu,
mas não falava comigo.
Eu vivia atenta aos ruídos dela,
ouvindo seu suave esvoaçar de borboleta,
seu rangido de animal da selva
e sonhava com a voz dela como um lindo canto,
mas não falava comigo.
noites inteiras chorei a seus pés,
apertada entre suas raízes,
sentindo seus braços sobre mim,
vendo-a erguida sobre mim,
sabendo que pensava em mim,
mas não falava comigo…
Aprendi a cantar como pássaro,
a acender-me como vaga-lume,
a relinchar feito cavalo.
Às vezes me enfurecia e fazia com que caíssem
todas as suas folhas,
deixava-a nua e envergonhada
diante dos guanacastes,
esperando que — talvez — entendesse ter sido por mal,
como alguns homens,
mas nada.
Aprendi tantas coisas para poder lhe falar,
despi-me de tantas outras necessidades
que esqueci até como eu me chamava,
esqueci de onde eu vinha,
esqueci a que espécie animal eu pertencia
e fiquei muda e sempre-viva
— esperançosa —
entre seus galhos.
...
Um abraço em vocês dois D e D.
Rubiamara
Abaixo o poema sem palavras, da Gioconda Belli.
SEM PALAVRAS
inventei uma grande árvore,
maior que um homem,
maior que uma casa,
maior que uma última esperança.
Fiquei com ela durante anos
sob sua sombra
esperando que falasse comigo.
Eu lhe cantava canções,
abraçava-a,
coçava sua rugosa casca
entremeada de samambaias,
meu riso rebentava flores em seus galhos,
e a cada gesto meu cresciam-lhe folhas,
brotavam-lhe frutas…
Era minha como nunca nada foi meu,
mas não falava comigo.
Eu vivia atenta aos ruídos dela,
ouvindo seu suave esvoaçar de borboleta,
seu rangido de animal da selva
e sonhava com a voz dela como um lindo canto,
mas não falava comigo.
noites inteiras chorei a seus pés,
apertada entre suas raízes,
sentindo seus braços sobre mim,
vendo-a erguida sobre mim,
sabendo que pensava em mim,
mas não falava comigo…
Aprendi a cantar como pássaro,
a acender-me como vaga-lume,
a relinchar feito cavalo.
Às vezes me enfurecia e fazia com que caíssem
todas as suas folhas,
deixava-a nua e envergonhada
diante dos guanacastes,
esperando que — talvez — entendesse ter sido por mal,
como alguns homens,
mas nada.
Aprendi tantas coisas para poder lhe falar,
despi-me de tantas outras necessidades
que esqueci até como eu me chamava,
esqueci de onde eu vinha,
esqueci a que espécie animal eu pertencia
e fiquei muda e sempre-viva
— esperançosa —
entre seus galhos.
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