sábado, 22 de agosto de 2020

Quero ser tempestade

Já fazem dias que estou aqui. Eu, meu barco e o oceano. Observo diversos tons de azul no céu e no mar, dias e noites. A lua e os pássaros são agora, as minhas mais presentes companhias.
Joguei a bússola ao mar, pois não preciso de informações. Quero sentir o próximo passo. Tenho a sensação de estar quase parada, ou então de estar dando voltas. Essas são as duas grandes questões, definir um objetivo e então se movimentar.
Quando há um lugar definido, me sinto executando uma invenção. Sei o horário em que o sol nascerá, os dias de chuva, tenho muitas tarefas para o dia. O problema em se ter um objetivo, é não conseguir desfrutar do caminho. Por outro lado, atingir o objetivo,  muitas vezes, é tão desolador.
E então, passam-se os dias enquanto observo. O tédio se apropria de mim, me violenta e o desespero chega. É muita angústia. Preciso urgentemente saber para onde estou indo. Quem receberá a minha visita? 
Decido. Abro a vela, mas antes de terminar a arrumação, nuvens escuras se aproximam, (no momento em que o tempo está fechando vejo uma das cenas mais belas. É como se a natureza se orquestrasse com o que há de melhor e de pior, para testar meus limites). Ventos fortes, chuvas,  ondas gigantescas, tempestades, raios, trovões. Descontrole. Caos.
Depois de uma noite interminável, concluo: como é bom sentir.

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