"Ao escolher palavras com que narrar minha angústia, eu já respiro melhor. A uns, Deus os quer doentes, a outros quer escrevendo." - Adélia Prado
quarta-feira, 30 de setembro de 2020
Sucinto
Yanomar
sábado, 26 de setembro de 2020
Quadrilha - Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira, 21 de setembro de 2020
A peneira da existência
Há alguns anos, não tenho prazer na comida. Não gosto de cozinhar, e é inviável comer fora todos os dias. Então, faço sempre o mesmo: feijão e arroz. Deixo o feijão de molho, de um dia para o outro, cozinho na panela de pressão e coloco os temperos. O arroz é mais rápido. Congelo metade do feijão cozido. Sinto muita alegria ao perceber que tenho comida para a semana toda.
Quando chega a hora do almoço, costumo ficar mais triste, e sempre torço para que tenha sobrado um pouco da janta da noite anterior. Olho no relógio, e já é meio dia. Decido varrer a casa, dobrar a roupa e fazer qualquer coisa que não seja cozinhar, com a esperança que brote algo para eu comer. "Acho que hoje não vai rolar almoço, vou colocar o feijão de molho."
Sinto vergonha em falar isso, pois sei que tem pessoas que passam fome. Um dia comentei com um amigo e ele me disse: "Mas não é porque a vida do outro está ruim, que a minha melhora!" É muito importante sermos gentis com as nossas próprias dificuldades. Apesar da minha relação com a comida não ser boa, reconheço os meus avanços e me parabenizo. Seguimos!🌺
quarta-feira, 16 de setembro de 2020
A criança suplente da não relação sexual dos pais
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| Sufocamento x Cuidado |
sexta-feira, 11 de setembro de 2020
Às minhas amigas, pós 30.
segunda-feira, 7 de setembro de 2020
Assinar com o polegar
Aprender a ler na década de 50 no Brasil, era privilégio. Lembro de uma vez na infância, eu querer mostrar o boletim para o meu avô e minha mãe sussurrar para eu não fazer isso, pois ele não sabia ler.
Minha avó também assinava com tinta no dedo. Ela era dessas mulheres fortes que admiramos! Negra, mãe de cinco filhos, fazia artesanatos, pintava panos de prato, cultivava horta, participava do grupo da igreja, sabia todas as músicas. Eu ia com ela nas missas e aprendi a cantarolar nessa época. Sempre me perguntam como sei tanta música. Tive o privilégio de aprender com uma cantaroladora profissional. Ela aprendia no ouvido mesmo. Imagina se soubesse ler!!!
Como o meu feminismo cura a minha avó? Honro toda a sua grandeza vó Maria (vó Bia). Gratidão pela sua Força e pelo seu exemplo de humanidade e de humildade. Sempre cuidando de todos nós. Cozinhando aquela comida maravilhosa e fazendo a gente comer até o último grão, daquele feijão que minha mãe não conseguia copiar. Fazendo aquele pão tão maciozinho, com tanto amor. Ah! Quanta saudade vozinha. E este mês, fazem 8 anos que a senhora fez a sua passagem, deixando muitas saudades. Como posso honrar sua presença? Gratidão meus avós Maria de Farias e Geraldo de Farias.
sexta-feira, 4 de setembro de 2020
Amarelinha
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| Amarelinha |
Sinal do intervalo. Crianças no pátio formando espontaneamente uma fila. Havia algo desenhado no chão e cada criança aguardava a sua vez para brincar. O desafio era pular com uma perna e depois com as duas, e assim sucessivamente, até chegar ao céu. Trabalhavam equilíbrio, velocidade, coordenação motora, socialização e se divertiam muito.
Cada criança lançava a pedra sobre o desenho, para determinar o espaco que não poderia ser pisado, chamado também de "espaço vazio".
- Concentra e já!, - torciam.
Quando tinham que ficar muito tempo em uma perna só, como por exemplo, se a bendita da pedra caísse no número dois, teria que pular nos números um, três e quatro, só pra depois então, poder pisar no cinco e no seis juntos. Ufa! Aumentava-se o cansaço físico, mas as crianças sabiam que era fundamental respeitar esse espaço. Desde pequenos aprendiam, que o vazio fazia parte do jogo, e era mais fácil suportar sua existência na presença uns dos outros. Depois de cumprir todas as regras, chegava-se ao céu. E como era bom sentir que vivía-se plenamente aquele céu. Só não entendiam como aqueles vinte minutos passavam tão rápido.
O VAZIO DA AMARELINHA
Todos nós sentimos, de vez em quando, uma sensação de vazio. Seja de fome, de disposição, de saudade ou de solidão mesmo.
É um grande desafio viver com a sensação da falta. Cláudio Thebas, no livro "O Palhaço e o Psicanalista", fala sobre a importância do brincar. Ele afirma que brincar é realizar um percurso juntos. Ele lembra da brincadeira de esconde-esconde, em que a pessoa se espremia atrás da pilastra, em conexão com tudo à sua volta. "Brincar envolve também, ficar esperando na estação, ficar perdido sem saber para onde ir, tropeçar e perder as malas...", - lembra o autor.
No texto "Amarelinha", a pedra tem a função de sinalizar o vazio. Geralmente o vazio desestabiliza, então procuramos coisas para preenchê-lo Com o passar do tempo, com autoconhecimento, e análise principalmente, a gente vai falando sobre as nossas dores e nos curando. Passamos a entender que o vazio faz parte do jogo (e da vida) e não se desequilibra com tanta facilidade. Aprende-se a pular com uma perna só, equilibrando, respirando, e vivendo a presença. Se esvazia, para ter mais momentos de qualidade e maior leveza.
Acredito que deveríamos ser mais incentivados a BRINCAR. Talvez conseguíssemos sustentar melhor o vazio. Desejo que esse texto possa colaborar um pouco com o vazio de vocês!
Gratidão
terça-feira, 1 de setembro de 2020
Inflamações
Ainda tem o chá de ontem. Chá de camomila faz bem para a pele, pensei. Minutos após esse pensamento, me vejo com o algodão umedecido passando no rosto. Foi bonito presenciar esse ato de autocuidado entre eu e meu corpo.
Meu rosto sempre teve espinhas e cravos, o que era motivo para alguns familiares ficarem bastante tempo as espremendo. Os furos das orelhas sempre inflamavam. Me é familiar ter sempre algum buraco no rosto vazando.
Quando Freud pergunta: qual é a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?, acredito que ele queria saber, qual é o ganho em não cuidar das próprias inflamações, por exemplo. Talvez porque eu queria acessar um lugar de presença, de atenção, de colo, de ter a sensação de ser cuidada, que acontecia quando as espinhas eram espremidas. Resistência a amadurecer e assumir o protagonismo da própria vida.
Admira a beleza
Admira a beleza, Defende a verdade, Venera a nobreza, Escolhe a bondade! Assim é que o homem Será conduzido, Às metas na vida; Aos retos cam...
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De tão pequenina veio ao mundo. Em uma foto usava o uniforme da vizinha, E segurava um pacote de bolacha nas mãos. Na outra, fazia graça, ...
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Eu sou um pouco bruxa nessa ilha. Gosto de conectar-me com a terra. Mexo o meu cadeirão com essa madeira, E o Baco ali, "o satanás...


