domingo, 31 de maio de 2020

Sobre paus, pedras e minhocas

Na minha infância, brincávamos de desvirar paus e pedras da horta da minha mãe. Naquele ambiente úmido e escuro, queríamos ver os diferentes bichos que apareceriam ali, além das minhocas e dos tatuzinhos. Mas, a ideia do que poderia aparecer nos amedrontava, e então, pegávamos um pedaço de pau para ajudar na tarefa. No entanto, independente da ajuda que recebêssemos (do pedaço de pau ou da companhia do outro), precisávamos agir com cautela, pois teríamos que lidar com as consequências do ato, individualmente.
O processo da cura da depressão ocorre de forma semelhante. Analiso diariamente as pedras para ver o que há embaixo delas, com o apoio de pessoas queridas que me ajudam muito, (inclusive se você receber essa mensagem, saiba que você tem me dado muito apoio nos últimos dias. Gratidão!!!). Apesar desse importantíssimo apoio, continuo tendo que lidar com os monstros que aparecem, sejam dos pensamentos perturbadores do inconsciente ou dos efeitos colaterais que o remédio tem manifestado. De qualquer forma, tanto na infância quanto hoje, é preciso ter coragem e força para seguir o caminho do (auto)conhecimento. Essa é a mensagem.

autora: Rubiamara

sábado, 30 de maio de 2020

Caos

O caos me é conhecido,
Incendeio para salvar o que sou.
Adormeço em águas mansas,
Em tempestades, existo.

Crio,
O que não está dentro.
E me transformo,
Nesse transbordamento todo.

Vulcaozinha.
Amansa esse teu peito.
Cuida dessa auto-estima.
Vá por você, vá por nós!
08/04

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Meus irmãos - 29/05/2020

Todas as histórias merecem um fim digno. Essa conclusão é fruto de um profundo sentimento de amor e respeito que adquiri por mim.
Se a história está em aberto, o nosso inconsciente trabalha para que ela tenha o seu lugar, o seu fim. Ontem me observei desejando ter o laudo de uma doença terminal, para que assim talvez meus irmãos superassem a traição do pai, e conseguissem aceitar a irmã em seus últimos dias.
Sim, esta é a minha ferida. Assim como existem inconformados filho único, eu sou a pessoa que sonha encontrar seus irmãos mais velhos.
Ou sonhava...
Percebi que preciso encerrar essa novela mexicana. Compreender a dificuldade deles em aceitar a minha existência. Diante disso, decidi hoje, enterrar o ideal que tenho dos meus irmãos. (Silêncio)
Enquanto minhas lágrimas caem, quero acreditar que fiz o que estava ao meu alcance. Escrevo agora uma despedida.

Dinis e Dalton,
(Silêncio)
(Silêncio)
Ainda que essas palavras não cheguem até vocês, gostaria que soubessem, que apesar de sentir muita falta de vocês, de querer muito abraca-los, eu respeito a dor de vocês e de agora em diante, eu os libero. (Silêncio)
...
Um abraço em vocês dois D e D.
Rubiamara

Abaixo o poema sem palavras, da Gioconda Belli.
SEM PALAVRAS
inventei uma grande árvore,
maior que um homem,
maior que uma casa,
maior que uma última esperança.
Fiquei com ela durante anos
sob sua sombra
esperando que falasse comigo.
Eu lhe cantava canções,
abraçava-a,
coçava sua rugosa casca
entremeada de samambaias,
meu riso rebentava flores em seus galhos,
e a cada gesto meu cresciam-lhe folhas,
brotavam-lhe frutas…
Era minha como nunca nada foi meu,
mas não falava comigo.
Eu vivia atenta aos ruídos dela,
ouvindo seu suave esvoaçar de borboleta,
seu rangido de animal da selva
e sonhava com a voz dela como um lindo canto,
mas não falava comigo.
noites inteiras chorei a seus pés,
apertada entre suas raízes,
sentindo seus braços sobre mim,
vendo-a erguida sobre mim,
sabendo que pensava em mim,
mas não falava comigo…
Aprendi a cantar como pássaro,
a acender-me como vaga-lume,
a relinchar feito cavalo.
Às vezes me enfurecia e fazia com que caíssem
todas as suas folhas,
deixava-a nua e envergonhada
diante dos guanacastes,
esperando que — talvez — entendesse ter sido por mal,
como alguns homens,
mas nada.
Aprendi tantas coisas para poder lhe falar,
despi-me de tantas outras necessidades
que esqueci até como eu me chamava,
esqueci de onde eu vinha,
esqueci a que espécie animal eu pertencia
e fiquei muda e sempre-viva
— esperançosa —
entre seus galhos.



quinta-feira, 28 de maio de 2020

NEM TODO HOMEM

Nem todo homem trata as mulheres como objeto sexual.

Nem todo homem abusa da sua irmã menor, pedindo para que ela o masturbe.

Nem todo homem faz filho, não registra e decide as leis proibindo a mulher de abortar.

Nem todo homem pede para a criança procurar ferramentas, enquanto esfrega"sem querer" o órgão genital na bunda dela.

Nem todo homem aproveita para passar a mão em uma mulher no ônibus lotado.
Nem todo homem alimentará em sua companheira a competição histórica entre as mulheres.

Nem todo homem dá carona e desvia-se do trajeto esperando um "agrado".

Nem todo homem fala por uma Mulher.

Nem todo homem expõe a intimidade que tem com a companheira.
Nem todo homem quer ter a fama de pegador.

Nem todo homem vangloria um padrão de corpo.

Nem todo homem tenta matar a companheira porque ela não o deseja mais.

...
Mas todo homem precisa ser orientado desde criança, para que essas situações de opressão não sejam naturalizadas.
Camila Grassi e Rubiamara.
25/05/2019


O SAGRADO FEMININO, O SAGRADO MASCULINO E O TANTRA.

"Há um Masculino e um Feminino Divino dentro de cada ser. Essas energias, quando em harmonia e plenitude, criam totalidade e equilíbrio para uma existência feliz. O cérebro esquerdo lógico e o cérebro direito intuitivo unem-se no coração. Permitir que as emoções sejam liberadas sem repressão, tomando consciência da presença do Sagrado Feminino, é aceitar e honrar a Intuição, substituir a força pela compreensão, abrir a mente, deixar o coração falar, por meio de um comportamento mais amoroso para o equilíbrio nas ações e na vida e, assim, ter uma vida mais feliz, com qualidade.

No Tantra a energia feminina é trabalhada e reverenciada o tempo inteiro, dando ênfase ao equilíbrio do feminino como pilastra energética. É com o desenvolvimento equilibrado dessa energia que os homens crescem, isto é, com a dose certa do feminino e do masculino dentro de si."

http://riofiqueligado.com.br/o-sagrado-feminino-o-sagrado-masculino-e-o-tantra-claudia-guilherme-2017/

Marielle presente!

Há um asteróide que recebe as pessoas chamado B212. Esses dias lendo o jornal, me alegrei em saber que Marielle continua com aquela força que tinha quando estava entre nós. No entanto, hoje ela mora lá,  e não precisa defender os direitos das mulheres, dos negros, da periferia, dos LGBTQIs, pois no lugar onde vive, homens e mulheres tem os mesmos direitos, assim como não há desigualdade social, e nem diferenças raciais ou religiosas. Assistimos diariamente muitas pessoas partindo para o asteroide B212, sem com que compreendamos muito bem.
Essas pessoas foram para lá, enquanto suas sementes germinam entre nós.
.
Rubiamara - 04/02/2019

Maquininha de costurar

A insistência da minha cachorra @oihazu em ir na área comum encontrar o novo amigo me lembrou uma história. 
Eu devia ter uns oito anos. Meu pai chegou cansado do trabalho (depois de mais de 4h de ônibus, além do trabalho pesado), e eu pedi para ele montar a máquininha de costurar que eu tinha ganhado. Era novidade ter um brinquedo e eu estava realmente ansiosa. Pedi várias vezes, até que ele pegou a máquina e jogou no chão, sobrando apenas o carretel de linha. Doeu o coração, mas não chorei.
Não guardo mágoas do meu pai, mas ainda hoje tenho curiosidade de saber se aquela maquininha costurava mesmo.

Comida de mãe

Quais adjetivos você usa para descrever a comida da sua mãe? Boa, gostosa, familiar, razoável, cheirosa, temperada, super acolhedora, sofisticação rústica, bom gosto despojado, natureba com malícia, maravilhosa, caseira e saborosa?
"Nuuu... Deliciosa, maravilhosa, saborosa, suculenta... A melhor comida do mundo, acho q é a única comida que não canso de comer... Hehehe"
@napu88

Fico feliz por vocês! Os que uso para a comida da minha mãe são: ruim, sem tempero, sem gosto, queimada. A sopa tinha água, não caldo. E em mim sempre ficou uma sensação de não ser acolhida nem pelo estômago, nem pelo colo, nem por palavras, ou por cafuné. 
Dada a curiosidade, perguntei hoje à minha mãe o motivo dela não gostar de cozinhar, ela me respondeu: "Filha eu nem sabia cozinhar, aprendi com a sogra, depois que me casei. E só acho ruim quantas mulheres que deixam de fazer o que querem para cuidar dos filhos."

Que a nossa mãe nos amava, não tenho dúvidas. Ela sempre foi muito presente, apesar de não conseguir ser muito afetuosa. Sempre nos orientou para o trabalho. Lavavamos as janelas as 5horas da manhã. E hoje quando digo que não gosto de jogar, que tenho dificuldades para ficar ociosa, é difícil para quem está perto compreender. Preciso aprender a desfrutar da colheita. Devo me permitir sentir prazer.


Dormir com medo

Quando eu tinha uns oito anos, viajei com a minha tia e duas primas para visitar meu avô que morava sozinho no interior do Paraná. A casa era um sobrado antigo, de madeira, em que na parte de baixo tinha uma lanchonete que havia sido fechada em 1979, ano em que minha avó faleceu.

Meu avô sempre tomava o seu chimarrão com a água aquecida no fogão a lenha. Havia uma televisão preto e branco com botões. O banheiro era fora da casa, e dava medo das aranhas. 
Havia muitos quartos, mas iríamos dormir as quatro no mesmo. Assim como minhas primas, eu também estava com medo, mas ao lado da minha tia eu não poderia dormir, pois as minhas primas já ocupavam seus lugares.

Foi semelhante quando a minha mãe se casou. E eu apenas com quatro anos era contra o casamento, pois sabia que se ela se casasse, eu perderia o calor que só sentia por dormir na mesma cama que ela.

Confesso que é dolorido relembrar algumas coisas, mas estou procurando olhar para a sombra, para essa dificuldade em preparar o alimento que ainda afeta o meu presente.

Apesar das dores, sou grata à minha história, à minha mãe, à minha tia, à nossa ancestralidade. Pelas estradas desse caminho, aprendi muito sobre afeto, sobre acolhimento, cuidado, compaixão, sensibilidade e solidariedade. 

Admira a beleza

Admira a beleza, Defende a verdade, Venera a nobreza, Escolhe a bondade! Assim é que o homem Será conduzido, Às metas na vida; Aos retos cam...