Tenho dificuldade para viver na realidade. A realidade me traz mais do que feijão, arroz e boletos. Me traz memórias de abuso também. Me traz diversas informações de como devo me portar para não ser violentada, já que não há o que ser feito para barrar o abusador.
Trata-se de uma realidade dolorida, que por mais que eu tente ser forte e seguir, observo a minha criança desamparada e chorando. Como se mais uma vez, diante de adultos doentes, eu precisasse entender a situação, e relevar.
Mas estou sem espaço.
Preciso fazer as pazes com a minha história, que é semelhante a de outras tantas mulheres que conheci: um pai abusador e uma mãe silenciada diante dos fatos.
Tenho clareza que é o meu dever agradecer aos meus pais pela vida. Mas não é humano, fazer isso enquanto a ferida está aberta.
Não aguento mais! Eu mereço ser respeitada.
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