sexta-feira, 9 de abril de 2021

Carta aos amigos

Florianópolis, nove de abril de 2021
Caro amigo,
Lembra do tempo em que escreviamos cartas?
Eu tinha uma vizinha que escrevia cartas para os familiares, que moravam há mais de mil quilômetros de distância. Lembro-me de ver muitas folhas escritas frente e verso sobre a cama. Depois de levar a carta no correio, calculava-se o tempo que a notícia chegaria e imaginávamos a reação de cada familiar. 
Naquela época, tínhamos que aceitar o tempo de cada procedimento. A carta passava por várias mãos até chegar ao destino. Inclusive às vezes não chegava.
Tenho a sensação de que com as facilidades da tecnologia, e com a possibilidade de ter sempre à mão a nossa chupeta tecnológica, deixamos de narrar sobre o íntimo com quem se constrói laço. As fotos e vídeos nas redes sociais passaram a ter a função de "comunicar" por nós (a nossa felicidade constante), e restringimos as nossas angústias às conversas com o psicólogo, terapeuta ou couch.
O que podemos esperar das relações daqui para frente?
Aproveito para te convidar para um café com bolo na minha casa. Podemos também sentar na grama aproveitar o sol, prosear e brincar com as cachorras. Cozinhar diversos cremes que aprendi nessa quarentena. De abóbora, de lentilha, de batata salsa e de cenoura. 
Apesar dessa pandemia...  Você tem se cuidado? Tem isso também né!?
O que precisamos aprender com isso?
Esses dias li uma frase muito boa, que retrata os meus maiores medos, de injustiça e de perder pessoas importantes. A frase é: Quem ficará im(p)une?
Não sabemos quantas baixas ainda teremos, ou quando isso terá fim. Só sei que muitas pessoas estão enlutadas e isso me dói profundamente.
Estamos na lua minguante, e sinto a melancolia se achegar. É outono, tempo das folhas irem.
Tempo de silêncio.🍂

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