quinta-feira, 29 de abril de 2021

Sobre a capacidade de produzir distâncias

É você quem me coloca pra depois,
Ou sou eu, que escolho manter uma distância segura?

Segura de que?
Segura de não correr o risco do abandono.
Segura de ter energia para o próximo dia.
Segura de poder ter silêncio.
De cuidar das próprias emoções.

Lidar com muitos pontos de tensão me desorganiza.
Sou incapaz de gerenciar as demandas alheias.

Por enquanto, observo,
Escuto,
Atribuo palavra,
Respiro.

Rubiamara

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Tempos malucos

Como organizar os amigos em tempos de isolamento?
Como não ser um possível risco para as outras pessoas?
- Máscara, álcool e distanciamento.
Como produzir o próprio calor?
Como cuidar da própria alimentação? 
Como ter ânimo para organizar o quarto?
Como não criar expectativas?
Como se amar?
Vaso de Rubin
"O todo é maior do que a soma das partes."
Ao olhar novamente a imagem, interpretei como o presente, o passado e o futuro.
Realidade e fantasia.
A realidade material no presente, seria o vaso. A realidade contém também feijão, arroz, vírus e boletos. 
O passado e o futuro seriam as sombras. O que faz parte de nós, mas não aparece. Nossos medos, nossos sonhos, nossas fantasias, nossas pulsões e as nossas faltas.
Novamente lembro sobre a importância da terapia. É importante ter um momento para se ouvir, para olhar para as próprias repetições e buscar evoluir. Crescer.
"Pasito, pasito, suave, suavecito"
Muita paciência e sabedoria para com os nossos processos.
Buscar cuidar das próprias dores, para não depositar no outro, as projeções, os traumas e as faltas. 
Sobre a paixão ser uma criação, que tira o foco do real e de nós mesmos, lembro sempre da música "Como os nossos pais", de Elis Regina: 
"Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantada
Com uma nova invenção."

Meditar.
Buscar o centro.
Sentir.
Respirar.
Escutar.
Aliviar.
Todos estamos precisando de presença humana.

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Ser grato

Ser grato pelo lar, pelo alimento e pelo calor.

Ser grata pela nossa saúde e a dos nossos.

Pelo outono que acabou de chegar, trazendo dias mais gélidos e cachorras mais aninhadas.

Ser grata pelo processo de autoconhecimento auxiliar na redução das repetições.

Ser grato pela consciência da ciclicidade da vida e pela aceitação do momento presente com as características que lhes são próprias.

Ser grata por respirar.

Razumikin e Tie



quinta-feira, 15 de abril de 2021

Cinzas ao mar

Hoje já é o quarto dia após presenciar aquela cena. Fui fazer uma trilha e antes de entrar na rua que dava acesso à ela, passei por uma praia.

Havia algumas pessoas reunidas na areia. De início associei a um batizado, mas na sequência percebi que algumas pessoas choravam e a que estava mais a frente segurava um pote com as cinzas.

Não sei nada sobre aquela família, ou sobre a pessoa que fez a passagem. Sei que, mesmo já tendo ouvido falar sobre essa prática de jogar as cinzas ao mar, ver outras pessoas se despedindo das cinzas, me apertou. E a cena retorna diariamente pedindo para ser escrita. Decidi escrever, para reconhecer e dar um lugar para a morte, para os encerramentos de ciclos.

E dizer que sim, seja na praia ou em casa, ou na rua, os ciclos estão se abrindo e se fechando. E cabe a nós reconhecê-los e acolher a realidade como ela é.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Vida com (sen)tido

Nós mulheres sabemos,
Ouvir a intuição,
Elaborar as ideias,
Assumir os riscos.

Mais vida criativa,
Mais solidão,
Mais companhia de mulheres,
Mais uivos.

Cultivamos assim a terra natal.
No sonho, vemos este lugar selvagem,
Lugar honesto ao qual pertencemos,
Onde vale a pena viver.
Rubia

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Carta aos amigos

Florianópolis, nove de abril de 2021
Caro amigo,
Lembra do tempo em que escreviamos cartas?
Eu tinha uma vizinha que escrevia cartas para os familiares, que moravam há mais de mil quilômetros de distância. Lembro-me de ver muitas folhas escritas frente e verso sobre a cama. Depois de levar a carta no correio, calculava-se o tempo que a notícia chegaria e imaginávamos a reação de cada familiar. 
Naquela época, tínhamos que aceitar o tempo de cada procedimento. A carta passava por várias mãos até chegar ao destino. Inclusive às vezes não chegava.
Tenho a sensação de que com as facilidades da tecnologia, e com a possibilidade de ter sempre à mão a nossa chupeta tecnológica, deixamos de narrar sobre o íntimo com quem se constrói laço. As fotos e vídeos nas redes sociais passaram a ter a função de "comunicar" por nós (a nossa felicidade constante), e restringimos as nossas angústias às conversas com o psicólogo, terapeuta ou couch.
O que podemos esperar das relações daqui para frente?
Aproveito para te convidar para um café com bolo na minha casa. Podemos também sentar na grama aproveitar o sol, prosear e brincar com as cachorras. Cozinhar diversos cremes que aprendi nessa quarentena. De abóbora, de lentilha, de batata salsa e de cenoura. 
Apesar dessa pandemia...  Você tem se cuidado? Tem isso também né!?
O que precisamos aprender com isso?
Esses dias li uma frase muito boa, que retrata os meus maiores medos, de injustiça e de perder pessoas importantes. A frase é: Quem ficará im(p)une?
Não sabemos quantas baixas ainda teremos, ou quando isso terá fim. Só sei que muitas pessoas estão enlutadas e isso me dói profundamente.
Estamos na lua minguante, e sinto a melancolia se achegar. É outono, tempo das folhas irem.
Tempo de silêncio.🍂

Admira a beleza

Admira a beleza, Defende a verdade, Venera a nobreza, Escolhe a bondade! Assim é que o homem Será conduzido, Às metas na vida; Aos retos cam...